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CASOS DE LICITAÇÕES |
Setembro de 2008 |
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Todos os casos narrados nesta seção foram criados para ilustrar conceitos licitatórios, não sendo, portanto, situações reais. Qualquer semelhança de fatos aqui descritos com eventos ocorridos é mera coincidência. |
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CONTROLADORES DE IMPRESSORAS
Diante dos
costumeiros problemas de impressão de documentos que afetam a todos, uma
determinada prefeitura decidiu colocar, nas suas instalações, controladores de
impressora, um aparelho que encaminha para a impressora adequada o arquivo que
se deseja imprimir, controlando o tempo de espera na fila dos arquivos,
otimizando o trabalho de impressão.
Indiscutivelmente,
o valor dessa compra era muito pequeno, foi adotado, portanto, a modalidade convite, e uma empresa venceu e forneceu os
vinte aparelhos solicitados.
Garantida
a instalação dos equipamentos a fornecedora apresentou
um projeto muito mais complexo, um grande sistema de impressão informatizado
com fornecimento de várias impressoras além de outros equipamentos, com controle
inteligente de acionamento das impressoras, que variavam automaticamente,
conforme a intensidade do trânsito de arquivos em cada uma das impressoras
monitoradas, além de um controle gerencial centralizado que oferecia vários
recursos para administrar o tráfego dos arquivos na prefeitura.
Imaginaram
que o sistema completo seria vendido por aquele fornecedor, por alguns milhões
de reais, valor esse que já incluía uma significativa contribuição para a
campanha de reeleição do Prefeito.
Como o
valor que seria pago pelo sistema era muito mais alto que o razoável e
praticado pelo mercado, não seria possível fazer uma licitação normal e aquele
fornecedor vencer com preço tão elevado, visto que a concorrência teria que ser
do tipo menor preço.
O problema
do preço muito mais alto que o correto estava atrapalhando a consumação do
projeto.
No sentido
de superar esse problema o fornecedor sugeriu que o edital obrigasse que a
empresa a ser contratada tivesse que utilizar nesse novo projeto, de milhões de
reais, aqueles vinte controladores já instalados, que custaram pouco mais de
quarenta mil reais.
Visto que os
controladores fornecidos por aquela empresa e já instalados nas impressoras tinham
características próprias (não eram padronizados), apenas aquela empresa teria
como interligar tais aparelhinhos no complexo sistema que estava sendo
contratado, o que impediria a disputa na concorrência e, portanto, a
fornecedora seria a única empresa a participar daquela pseudolicitação.
Imediatamente
após ser publicado o edital houve uma disputa dentro da prefeitura por uma
maior participação na comissão a ser paga pelo fornecedor (nessas alturas além
do valor que iria para a campanha, uma outra expressiva parcela seria dividida
entre as pessoas da prefeitura, envolvidas na falcatrua). Um secretário, que se
sentiu prejudicado na partilha da propina, contou o plano para um vereador da
oposição e este contestou as regras do edital além de alertar as autoridades
competentes e a mídia de que estaria sendo feita uma licitação dirigida àquela
empresa que já tinha fornecido os controladores.
Teve a
denúncia grande repercussão, sendo inclusive divulgado na imprensa local, o
nome da empresa que ganharia a licitação, a qual achou por bem não mais vencer
a concorrência e colocar nesse papel uma outra empresa com a qual tinha algumas
outras parcerias, também levou para a licitação outras duas empresas laranjas
para apresentar preços ainda mais altos, totalizando assim quatro licitantes
contando com a fornecedora.
O dia da
licitação chegou e a empresa fornecedora ficou em segundo lugar e as outras
três empresas ofereceram proposta para executar o serviço pretendido, provando,
assim, que as alegações, de que só aquela empresa poderia executar o contrato,
apresentadas pelo reclamante e o que havia sido noticiado na impressa não
correspondia à verdade, aliás, a empresa que eles afirmavam que seria a
vencedora da concorrência perdeu licitação.
Resultando
o certame, diferente (pelo menos na teoria) do que as denúncias apontavam, não
restou dúvida sobre a legitimidade do procedimento licitatório,que foi
homologado normalmente, apenas o valor inicialmente previsto teve que ser um
pouco mais ampliado, para remunerar também as empresas que vieram fazer
figuração na licitação e também àquela que emprestou o nome para ganhar a
concorrência.
Imune às denúncias, agora tidas como vazias, o processo foi concluído normalmente
com a parceira contratada e a fornecedora executando, no seu lugar, o contrato.
Agora só
nos resta esperar o resultado das urnas, para ver se pelo menos o dinheiro que
deveria ser aplicado na campanha de reeleição do prefeito foi dada a destinação correta, pois, diante de tanta mutreta, nem
nisso mais se acredita.